segunda-feira, 16 de abril de 2018

ANÁLISE DA CENA



Observando a cena que nos foi oportunizada  foi possível identificar nas falas dos professores( Orquídea, Margarida,Rosa, Cravo e do diretor Antúrio)  modelos epistemológicos estudados ao longo das leituras,tendo em vista que  nas “falas” dos mesmos conseguimos perceber pontos do empirismo, apriorismo e do construtivismo.  E refletindo sobre a escola como organização escolar, notamos nitidamente a marca da institucionalização, muitas vezes tradicional de ensino. Para iniciar a exemplificação  podemos citar primeiramente a descrição do contexto da cena em que relata os objetivos da reunião e que visa a discussão das dificuldades enfrentadas pelos alunos e que se manifesta através dos índices  de avaliação. Quantas vezes vivenciamos essas mesmas situações em nossas escolas? Quantas vezes somente são analisadas as notas dos alunos e não o processo que ocorreu nesta trajetória de aprendizagens?
Quantas indagações aparecem ao longo da reflexão sobre a  escola que temos e queremos para nossa sociedade.
Inicialmente percebo a relação entre o contexto descrito com o texto Maquinaria Escolar, que fala sobre nossa escola, quanto estrutura de ensino. Que a escola não emergiu do nada, mas foi se “organizando” e instrumentalizando-se  como uma peça nestes sistema que é o ensino. Refletindo sobre o passado e o presente, infelizmente ainda percebemos  que nosso sistema educacional encontra-se nos moldes do passado, tanto na  questão de estrutura física, quanto na  pedagógica(lamento profundamente quando percebo, tal fato).
Quanto educador precisamos questionar se estamos fomentando alunos críticos e autônomos ou ainda estamos seguindo uma pedagogia tradicional de aprendizagem e visão pedagógica como a do Diretor Antúrio que fala:

Mas eu estou preocupado com o aumento da indisciplina na nossa escola. Na semana fui nas aulas de alguns professores-não vou citar nomes – e encontrei a maior bagunça . O professor precisa ter o controle da turma, ele fala e os alunos atendem. A escola sempre existiu para mostrar para as novas gerações o que se espera delas: dominar os conteúdos e ser disciplinado. Quem não concorda com isso deve procurar outra escola.

Será que existem muitos diretores ou professores Antúrios em nossas escolas? Ou somente é mais uma história sobre  contextos escolares que estamos tendo a oportunidade ou a obrigatoriedade de ler?
Ahh... são tantas as perguntas, mas acredito que tudo é um processo de vivências teóricas e empíricas que percorremos ao longo destas experiências.
Historicamente percebemos e somos bombardeados de situações que demonstram que nossa sociedade mudou,mas ao mesmo tempo percebemos que o sistema escolar permanece muito parecido, para não dizer que igual aos séculos passados. O acesso é para todos? Ou ainda permanece para poucos?
Esse espaço de aprendizagem que é a escola desafia o aluno ou reproduz modelos antigos de aprendizagem?
Quando nos é apresentado modelos pedagógicos com metodologias diferenciadas que fomentar aprendizagens e pensamentos “fora da caixa”, acredito que ainda temos esperança de aprendizagens com significados que considerem as experiências dos alunos. Podemos citar como exemplo  a escola da Ponte, que está situada em Portugal e modelos mais acessíveis como a da Escola de Ensino Fundamental Waldorf Querência que existe aqui em Porto Alegre. Que possuem propostas pedagógicas  embasadas em uma pedagogia libertária, baseada em uma aprendizagem livre, com responsabilidade, autonomia  e crítica. O professor é um  mediador, que ensina a aprende com seu aluno. 
A escola torna-se um espaço de descobertas e não um ambiente tradicional de ensino. E para embasar essa escrita cito a fala da professora Margarida que diz:

Agora tenho trabalhado com desafios. Acho que os alunos aprendem mais. Eles resolvem individualmente e depois discutem com os colegas em grupos. Enquanto eles trabalham eu converso com eles, esclareço dúvidas e coloco questionamentos. Como fechamento, discutimos as soluções que os grupos deram para os desafios.

Ela está fomentando uma aprendizagem pautada no construtivismo que torna-se um ambiente de aprendizagens por meio de descobertas, estabelecendo regras de convivências e de trabalho pedagógico. Desenvolvendo um conteúdo por assimilação dentro de uma proposta de embasada na problematização e interação. Assim  compreendendo o aluno como sujeito autônomo e que está desenvolvendo-se e colaborando para novas aprendizagens suas e dos demais.
Quando paramos para analisar cada professor descrito na cena, conseguimos nos identificar ou identificar nossos colegas professores (ou seriam educadores)?
Sim! ... Consigo me ver nas cenas descritas, como consigo identificar muitos colegas que pensam e ensinam de uma maneira tradicional. Pela experiência empírica que possuo como docente e aprendiz , me percebo como construtivista ,pois  acredito que a escola tem sim que ser um espaço de muitas descobertas, muitos questionamentos, dúvidas  e aprendizagens colaborativas. Não consigo me engessar num padrão pré-estabelecido pelo sistema educacional. Sempre procuro fazer o diferente, pois a diversidade me seduz de uma maneira gostosa em aprender novos conhecimentos, me desafiando para outras possibilidades. Não com “receitas” pedagógicas prontas, estabelecidas somente pelo professor,  mas sim com a colaboração de todos (alunos e professores) nesta busca de soluções e aprendizagens. Não quero me tornar uma Professora Orquídea que está frustrada em ter perdido finais de semana preparando “excelentes”(Ela acha isso. Será que os alunos pensam o mesmo?) aulas. E seus alunos não conseguem acertar nada.   
Continuo acreditando que o prazer do desafio é algo eficiente para que nossos alunos gostem de nossas aulas, que através de metodologias colaborativas fomentamos  possibilidades significativas de trocas de conhecimentos tanto teóricos,quanto  empíricos e assim conseguimos pensar e reprensar. Provocar aquela inquietude tão necessária no sujeito para que ele se torne realmente autônomo e critico de suas aprendizagens.
Portanto as cenas não são novas, assim como nosso sistema de ensino, as pessoas evoluem ( que bom!) ou não (infelizmente!) e essa maquinaria pode mudar suas “peças” e ações. Somente é necessário sair da comodidade e partir para a ação. É o movimento que faz toda a diferença e o resultado final não deve ser nosso objetivo principal, mas sim a análise deste processo. Com essa escrita não cheguei a uma conclusão, as perguntas ainda estão em minha cabeça e acredito que são elas que me  fazem continuar meus devaneios reflexivos na busca pela educação que realmente acredito.
Irei finalizar com aqueles famosos três pontinhos que expressam uma continuação constante de novas possibilidades... Até breve... Educação que almejo e necessito...




Referências:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994.
MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993.
TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011.
VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Fernando-Alvarez-Uria-Maquinaria-Escolar-1>. Acesso em: 10 abr. 2018.






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