Observando a cena que nos
foi oportunizada foi possível
identificar nas falas dos professores( Orquídea, Margarida,Rosa, Cravo e do
diretor Antúrio) modelos epistemológicos
estudados ao longo das leituras,tendo em vista que nas “falas” dos mesmos conseguimos perceber
pontos do empirismo, apriorismo e do construtivismo. E refletindo sobre a escola como organização
escolar, notamos nitidamente a marca da institucionalização, muitas vezes
tradicional de ensino. Para iniciar a exemplificação podemos citar primeiramente a descrição do
contexto da cena em que relata os objetivos da reunião e que visa a discussão
das dificuldades enfrentadas pelos alunos e que se manifesta através dos
índices de avaliação. Quantas vezes
vivenciamos essas mesmas situações em nossas escolas? Quantas vezes somente são
analisadas as notas dos alunos e não o processo que ocorreu nesta trajetória de
aprendizagens?
Quantas indagações aparecem
ao longo da reflexão sobre a escola que
temos e queremos para nossa sociedade.
Inicialmente percebo a
relação entre o contexto descrito com o texto Maquinaria Escolar, que fala
sobre nossa escola, quanto estrutura de ensino. Que a escola não emergiu do
nada, mas foi se “organizando” e instrumentalizando-se como uma peça nestes sistema que é o ensino.
Refletindo sobre o passado e o presente, infelizmente ainda percebemos que nosso sistema educacional encontra-se nos
moldes do passado, tanto na questão de
estrutura física, quanto na
pedagógica(lamento profundamente quando percebo, tal fato).
Quanto educador precisamos questionar
se estamos fomentando alunos críticos e autônomos ou ainda estamos seguindo uma
pedagogia tradicional de aprendizagem e visão pedagógica como a do Diretor
Antúrio que fala:
Mas eu estou
preocupado com o aumento da indisciplina na nossa escola. Na semana fui nas
aulas de alguns professores-não vou citar nomes – e encontrei a maior bagunça .
O professor precisa ter o controle da turma, ele fala e os alunos atendem. A
escola sempre existiu para mostrar para as novas gerações o que se espera
delas: dominar os conteúdos e ser disciplinado. Quem não concorda com isso deve
procurar outra escola.
Será que existem muitos
diretores ou professores Antúrios em nossas escolas? Ou somente é mais uma
história sobre contextos escolares que
estamos tendo a oportunidade ou a obrigatoriedade de ler?
Ahh... são tantas as
perguntas, mas acredito que tudo é um processo de vivências teóricas e
empíricas que percorremos ao longo destas experiências.
Historicamente percebemos e
somos bombardeados de situações que demonstram que nossa sociedade mudou,mas ao
mesmo tempo percebemos que o sistema escolar permanece muito parecido, para não
dizer que igual aos séculos passados. O acesso é para todos? Ou ainda permanece
para poucos?
Esse espaço de aprendizagem que
é a escola desafia o aluno ou reproduz modelos antigos de aprendizagem?
Quando nos é apresentado
modelos pedagógicos com metodologias diferenciadas que fomentar aprendizagens e
pensamentos “fora da caixa”, acredito que ainda temos esperança de
aprendizagens com significados que considerem as experiências dos alunos.
Podemos citar como exemplo a escola da
Ponte, que está situada em Portugal e modelos mais acessíveis como a da Escola
de Ensino Fundamental Waldorf Querência que existe aqui em Porto Alegre. Que
possuem propostas pedagógicas embasadas
em uma pedagogia libertária, baseada em uma aprendizagem livre, com
responsabilidade, autonomia e crítica. O
professor é um mediador, que ensina a
aprende com seu aluno.
A escola torna-se um espaço
de descobertas e não um ambiente tradicional de ensino. E para embasar essa
escrita cito a fala da professora Margarida que diz:
Agora tenho
trabalhado com desafios. Acho que os alunos aprendem mais. Eles resolvem
individualmente e depois discutem com os colegas em grupos. Enquanto eles
trabalham eu converso com eles, esclareço dúvidas e coloco questionamentos. Como
fechamento, discutimos as soluções que os grupos deram para os desafios.
Ela está fomentando uma
aprendizagem pautada no construtivismo que torna-se um ambiente de
aprendizagens por meio de descobertas, estabelecendo regras de convivências e
de trabalho pedagógico. Desenvolvendo um conteúdo por assimilação dentro de uma
proposta de embasada na problematização e interação. Assim compreendendo o aluno como sujeito autônomo e
que está desenvolvendo-se e colaborando para novas aprendizagens suas e dos
demais.
Quando paramos para analisar
cada professor descrito na cena, conseguimos nos identificar ou identificar
nossos colegas professores (ou seriam educadores)?
Sim! ... Consigo me ver nas
cenas descritas, como consigo identificar muitos colegas que pensam e ensinam
de uma maneira tradicional. Pela experiência empírica que possuo como docente e
aprendiz , me percebo como construtivista ,pois
acredito que a escola tem sim que ser um espaço de muitas descobertas,
muitos questionamentos, dúvidas e
aprendizagens colaborativas. Não consigo me engessar num padrão
pré-estabelecido pelo sistema educacional. Sempre procuro fazer o diferente,
pois a diversidade me seduz de uma maneira gostosa em aprender novos
conhecimentos, me desafiando para outras possibilidades. Não com “receitas”
pedagógicas prontas, estabelecidas somente pelo professor, mas sim com a colaboração de todos (alunos e
professores) nesta busca de soluções e aprendizagens. Não quero me tornar uma
Professora Orquídea que está frustrada em ter perdido finais de semana
preparando “excelentes”(Ela acha isso. Será que os alunos pensam o mesmo?)
aulas. E seus alunos não conseguem acertar nada.
Continuo acreditando que o
prazer do desafio é algo eficiente para que nossos alunos gostem de nossas
aulas, que através de metodologias colaborativas fomentamos possibilidades significativas de trocas de
conhecimentos tanto teóricos,quanto
empíricos e assim conseguimos pensar e reprensar. Provocar aquela
inquietude tão necessária no sujeito para que ele se torne realmente autônomo e
critico de suas aprendizagens.
Portanto as cenas não são
novas, assim como nosso sistema de ensino, as pessoas evoluem ( que bom!) ou
não (infelizmente!) e essa maquinaria pode mudar suas “peças” e ações. Somente
é necessário sair da comodidade e partir para a ação. É o movimento que faz
toda a diferença e o resultado final não deve ser nosso objetivo principal, mas
sim a análise deste processo. Com essa escrita não cheguei a uma conclusão, as
perguntas ainda estão em minha cabeça e acredito que são elas que me fazem continuar meus devaneios reflexivos na
busca pela educação que realmente acredito.
Irei finalizar com aqueles
famosos três pontinhos que expressam uma continuação constante de novas
possibilidades... Até breve... Educação que almejo e necessito...
Referências:
BECKER,
Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade,
Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994.
MACEDO,
Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto
Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993.
TOSTO,
Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil,
ISSN 2175-3318. v. 4. 2011.
VARELA,
Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6,
p.68-96, 1992. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Fernando-Alvarez-Uria-Maquinaria-Escolar-1>.
Acesso em: 10 abr. 2018.
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